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No banco de jardim
Saiu do escritório, exausto depois de um dia de trabalho intenso.
Antes de ir buscar o carro, deu uma volta pelo jardim, desapertou o botão do colarinho, aliviou o nó da gravata e sentou-se na ponta de um banco de ripas de madeira pintada.
Puxou de um cigarro, acendeu-o lentamente fitando um ponto impreciso na folhagem das árvores.
Quando chegasse a casa, em vez de paz e sosssego, sabia que iria ter de ouvir o falatório ininterrupto e estridente da sua mulher sobre os mais corriqueiros e desinteressantes problemas.
Temia e adiava o regresso a casa.
Absorto nos seus pensamentos, apercebeu-se de uma mulher bonita, calma e despreocupada que acabara de se acomodar na outra ponta do banco.
Trocaram um olhar fugaz e um sorriso de circunstância.
Calmamente ela ia desembrulhando um chocolate, devagar.
Tão devagar que ele teve tempo de acabar de fumar o cigarro e acender outro, antes dela trincar o quadrado doce que destacara da tablete.
Aliás, antes de o morder, ela meteu-o na boca e lambeu-o demoradamente sugando deliciada a massa doce, viscosa e acastanhada que lhe ia pintando os lábios e sensuais.
Ele ia formando habilidosamente com a boca pequenas auréolas de fumo, mirando-a, embevecido com a calma e o silêncio daquela atraente mulher.
Não articularam uma palavra. Apenas um ou outro sorriso quando os olhares se cruzavam.
Lânguidos, calmos, num halo surreal que parecia envolvê-los...
Fumou o segundo cigarro até ao filtro, espezinhou, com raiva, a beata no chão empedrado e preparou-se para ir.
Ao soerguer-se, ouviu a voz melodiosa, suave e quase sussurrada daquela mulher:
- Porque não fica mais um pouco?
Já lá vão uns anos. Até hoje nunca mais voltou para casa...
Rui Felício
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Senior Member
O que faz de alguém um bom economista - ou, por que acertamos nossas previsões gerais
Foi apenas em meados de 2014, após dois trimestres consecutivos de PIB negativo, que toda a imprensa nacional começou a falar sobre os desarranjos da economia brasileira — àquela altura, visíveis até mesmo para os panfleteiros político-partidários — e sobre como aqueles desequilíbrios levariam a uma recessão no ano seguinte.(Atualmente, todos os economistas jáfalam abertamente que o ano de 2015 será um ano perdido.)
O que poucos fizeram, no entanto, e este site se inclui nessa honrosa lista das "minorias ínfimas", foi detectar e explicar estes problemas quando a economia brasileira ainda estava "bombando", crescendo a 7,5% do PIB.
Uma coisa é gritar "recessão" somente após o IBGE trazer os dados negativos; outra coisa, bem diferente, é explicar como e por que haverá uma recessão enquanto o país ainda está vivenciando um crescimento chinês.
E foi isso o que fizemos ainda no longínquo ano de 2010. Enquanto a economia brasileira crescia a chineses 7,5%, este site publicou este artigo explicando por que aquilo tudo era insustentável e mostrando por que a situação iria se reverter. O artigo abordou, inclusive, os truques contábeis que já vinham sendo praticados desde àquela época, e que só em 2014 passaram a ser abertamente denunciados pela grande imprensa.
Um ano depois, já no terceiro trimestre de 2011, um novo artigo foi publicado prevendo uma ligeira recessão para 2012. Em termos de PIB per capita, que é o que realmente interessa, a economia de fato ficou estagnada em 2012, mas o que realmente aconteceu é que a economia brasileira foi mantida animada por novas e crescentes doses de crédito estatal, que é um crédito totalmente imune à taxa de juros estipulada pelo Banco Central.
Este fenômeno do agigantamento do crédito estatal, sobre como ele traria um curto impulso à economia e faria um grande estrago nos balancetes dos bancos estatais foi esmiuçado neste artigo de 2012 e, um ano depois, neste de 2013. Hoje, nossas previsões se confirmaram e o próprio governo já fala abertamente em recapitalizar a Caixa e o Banco do Brasil.
Também em 2012 publicamos este artigo abordando novamente, dentre outras coisas, a situação fiscal brasileira. Naquela época, ainda eram poucos os economistas que alertavam para essas "pedaladas" no orçamento do governo. Menor ainda era o número de economistas que alertavam sobre como isso iria terminar.
De novo em 2012, um novo artigo fazendo previsões para a economia brasileira, todas elas concretizadas, inclusive para o setor imobiliário.
Para completar, também em 2012, este artigo e este artigo já alertavam para o risco de problemas no setor elétrico em decorrência do intervencionismo populista do governo.
A partir de 2013, todos os desarranjos previstos já estavam explícitos. Aos nossos articulistas restou apenas fazer uma narração em tempo real de como a vaca caminhava rumo ao brejo.
O esfacelamento do real foi narrado em tempo real aqui e aqui. Os principais desmandos do governo Dilma, que iriam culminar na atual recessão econômica que vivenciamos, foram sintetizados aqui. Os motivos da insatisfação da população com a situação do país, o que gerou os protestos de junho de 2013, foram explicadosaqui e aqui. Os motivos da aparentemente baixa taxa de desemprego foram explicados aqui e aqui
Até mesmo a inviabilidade do pré-sal foi prevista. Em agosto de 2013, explicamos neste artigo que o desinteresse de grandes empresas no primeiro leilão de um campo do pré-sal indicava que, aos preços vigentes do petróleo, a operação era inviável. Os atuais acontecimentos comprovam a previsão.
Toda a narrativa culminou com este artigo que traça um panorama completa da economia brasileira ao longo da última década, com este artigo que sintetiza os dez principais erros do governo Dilma, e com este artigo, que antecipava tudo de errado que seria feito pelo novo Ministro da Fazenda.
Guido Mantega
Embora hoje Guido Mantega seja uma figura execrada e ridicularizada, houve uma época em que ele era unanimidade. Até mesmo os semanários antipetistas eram abertamente simpáticos ao ministro — que nunca enganou os articulistas deste site —, sempre lhe agraciando com uma cobertura positiva.
A paixão da imprensa por Guido Mantega — que sempre falava estultices sem ser questionado e sempre fazia previsões que se comprovavam demasiadamente otimistas sem ser cobrado por isso — foi primeiramente abordada aqui, no longínquo ano de 2010.
Seus atos totalitários — como a imposição de soviéticas tarifas de importação sobre automóveis, o aumento generalizado de todas as tarifas de importações sobre todos os produtos importados, a imposição de políticas de conteúdo nacional, a imposição de políticas de preços mínimos, a implantação de métodos à la Stasi de revista de passageiros em aeroportos — foram esmiuçados, denunciados e tiveram suas consequências previstas aqui,aqui, aqui e aqui, ao mesmo tempo em que ganhavam um passe livre de toda a imprensa.
Sua idiótica declaração de guerra à entrada de capital estrangeiro no Brasil foi aplaudida pela imprensa e veementemente denunciada por este site (aqui, aqui e aqui), pois sabíamos que isso geraria uma saída de dólares, uma desvalorização da moeda e uma consequente disparada da carestia. Previsão efetivada. De 2011 até hoje, o real foi uma das moedas que mais se desvalorizou no mundo.
E tudo isso foi feito por Mantega com a justificativa de "proteger a indústria". A indústria, no entanto, foi o setor que mais sofreu sob o seu reinado, e o motivo disso — algo totalmente alheio ao conhecimento de Mantega — foi explicado aqui.
Foi só no início de 2014 que a imprensa finalmente acordou e começou a jogar duro com Guido Mantega. Tarde demais. Seus estragos já eram irreversíveis.
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Cenário externo
Também no front externo tivemos acertos.
Este artigo de meados de 2009 explicava por que o tão comemorado "fim da recessão americana", reverberado por toda a imprensa, era uma falácia. Um ano depois, em 2010, todos voltaram a falar que a recessão americana, na prática, ainda não havia acabado.
Já este artigo de setembro de 2011 explicava por que o Banco Central da Suíça não iria manter sua âncora cambial em relação ao euro por muito tempo. Vários investidores estrangeiros e fundos de investimento acreditaram na declaração do BC suíço de que a âncora seria eterna. Nós não. Com a súbita flutuação do franco em janeiro deste ano, vários fundos e empresas — que acreditavam piamente na durabilidade da âncora — perderam dinheiro e quebraram.
Explicamos também, neste artigo, como ocorreu a recessão europeia e apresentamos os fatos que mostravam por que ela não acabaria tão cedo. A realidade nos provou corretos.
E, de brinde, produzimos este artigo que explica em detalhes como se deu a implosão do sistema financeiro americano, naquela que talvez seja a narrativa mais completa disponível em língua portuguesa.
Qual o método?
Ao se fazer análises econômicas, é imperativo deixar paixões e preferências ideológicas de lado. Para se ser sensato em economia, ideologias e preferências não podem ter voz nem vez.
Nesse sentido, foi memorável a participação do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros no programa Entre Aspas, da Globo News. "Mendonção", que se declarou keynesiano, se disse "depressivo" com o fato de que as políticas keynesianas aplicadas nos EUA não estarem funcionando para recuperar a economia.
Segundo ele:
Acho Krugman um sujeito inteligente, muito preparado, mas eu.... que bebo na mesma água que ele, keynesiana, esse negócio todo.... eu estou meio depressivo porque era pra funcionar! Tudo que o Banco Central fez, tudo o que o Obama fez ... [era pra ter funcionado]...
Tal desespero é típico de quem passou a vida lendo panfletos ideológicos em vez de estudar a ciência econômica verdadeira; é típico de quem passou a vida estudando aquilo que governantes gostam de ouvir, e não aquilo que eles realmente deveriam fazer. Caso tivesse se livrado de suas ideologias de juventude, Mendonção poderia estar vendo o mundo com mais clareza hoje, e não estaria tão perdido assim.
É por isso que nós do IMB sempre tentamos seguir à risca os dizeres do economista Robert Higgs, uma das melhores mentes da Escola Austríaca de economia. Segundo ele:
A habilidade mais escassa entre os economistas (e entre aqueles que acreditam entender de questões econômicas) é o bom senso.
Muitos economistas claramente são muito preparados, no sentido de que são muito versados em matemática e são capazes de lidar facilmente com modelos matemáticos e econométricos extremamente complexos.
Mas esse tipo de habilidade técnica não necessariamente — e é lamentável dizer que normalmente é assim — fará você realmente entender como o mundo funciona.
Ter bom senso e bom discernimento sobre a realidade econômica depende muito mais de uma combinação desses três fatores:
1) dominar a teoria básica do funcionamento dos preços, ou seja, a teoria de como alterações nos incentivos e nos custos relativos afetam as ações dos indivíduos;
2) ter um conhecimento substancial da história econômica e do contexto institucional dentro do qual ocorreram as ações econômicas; e
3) ter aquele autocontrole que impede que caiamos de amores por aquilo que é meramente uma possibilidade (normalmente, um modelo sedutor, de apelo fácil, e totalmente errado) e ignoremos aquilo que é realmente factível.
Em outras palavras, a maioria dos economistas e supostos especialistas, não obstante sua clara destreza em relação às ciências exatas, não conseguem "sentir" como realmente uma economia funciona. É como se eles fossem incapazes de enxergar além das minúcias numéricas e das tecnicalidades, jamais conseguindo apreciar como realmente ocorrem as interações econômicas no mundo real.
Muito menos conseguem compreender as magnitudes dos vários fatores que governam a ação humana de cada indivíduo, seja ele um consumidor, um empreendedor ou um investidor. Ou, como disse o grande Frédéric Bastiat, o bom economista não é aquele que explica o que se vê, mas sim aquele que consegue também explicar o que não se vê. Em suas imortais palavras:
Na esfera econômica, um ato, um hábito, uma instituição, uma lei não geram somente um efeito, mas uma série de efeitos. Dentre esses, só o primeiro efeito é imediato. Manifesta-se simultaneamente com a sua causa. É visível. Os outros só aparecem depois e não são visíveis. Podemo-nos dar por felizes se conseguirmos prevê-los.
Entre um mau e um bom economista existe uma diferença: o primeiro se detém no efeito que se vê; já o outro leva em conta tanto o efeito que se vê quanto aqueles que se devem prever.
E essa diferença é enorme, pois o que acontece quase sempre é que, quando a consequência imediata é favorável, as consequências posteriores são funestas e vice-versa. Daí se conclui que o mau economista, ao perseguir um pequeno benefício no presente, está gerando um grande mal no futuro. Já o verdadeiro bom economista, ao perseguir um grande benefício no futuro, corre o risco de provocar um pequeno mal no presente.
De resto, o mesmo acontece no campo da saúde e da moral. Frequentemente, quanto mais doce for o primeiro fruto de um hábito, tanto mais amargos serão os outros. Testemunham isso, por exemplo, o vício, a preguiça, a prodigalidade. Assim, quando um homem é atingido pelo efeito do que se vê e ainda não aprendeu a discernir os efeitos que não se veem, ele se entrega a hábitos maus, não somente por inclinação, mas por uma atitude deliberada.
Isso explica a evolução fatalmente dolorosa da humanidade.
A humanidade se caracteriza, em seus primórdios, pela presença da ignorância. Logo, está limitada às consequências imediatas de seus primeiros atos, as únicas que, originalmente, consegue enxergar. Só com o passar do tempo é que aprende a levar em conta as outras consequências.
Dois mestres bem diferentes lhe ensinam esta lição: a experiência e a previsão. A experiência atua eficazmente, mas de modo brutal. Mostra-nos todos os efeitos de um ato, fazendo-nos senti-los: por nos queimarmos, aprendemos que o fogo queima. Seria bom se nos fosse possível substituir esse rude mestre por um mais delicado: a previdência. Por isso, buscarei a seguir as consequências de alguns fenômenos econômicos, opondo às que são visíveis àquelas que não se veem.
Equipe IMB
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Última edição por Sway : 10-02-15 às 08:22:56
The privilege of a lifetime is to become who you truly are. - C. G. Jung
I am eternally grateful to the women before me who fought for my rights.
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Silver Member
Última edição por Sway : 10-02-15 às 11:24:45
The privilege of a lifetime is to become who you truly are. - C. G. Jung
I am eternally grateful to the women before me who fought for my rights.
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Vídeo que explica parte daquilo que vivemos nos dias de hoje em relação à liquidez do sistema financeiro.
É antigo mas vale a pena ver...
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Tão lindos 
The privilege of a lifetime is to become who you truly are. - C. G. Jung
I am eternally grateful to the women before me who fought for my rights.
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O meu PC parece que fica menos ruidoso quando começo a sondar o mercado...
No meio destas futilidades todas já me esquecia de referir que ontem por mero acaso, ou talvez não, reencontrei uma velha amiga de Liceu, que no último Verão teve um grave problema de saúde.
Disse-me que que já estava bem.
Quase me convenceu...
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Estrus
By Rollo Tomassi
Last week saw the publication of the latest paper by Dr. Steven W. Gangestad and Dr. Martie Hasselton titled Human Estrus: Implications for Relationship Science. Anyone who’s read the Rational Male for more than a year is probably familiar with my citing Dr. Hasselton in various posts (her catalog of research has been part of my sidebar links since I began RM), but both she and Dr. Gangstad are among the foremost notable researchers in the areas of human sexuality and applied evolutionary psychology.
For this week’s post I’ll be riffing on what this paper proposes with regard to a condition of estrus in women.
In the introduction section of The Rational Male I relate a story of how in my Red Pill formative years I came to be a connector of dots so to speak. While I was studying behavioral psychology and personality studies a great many issues jumped out at me with regards to how many of the principle of behavioral psychology could be (and were already being) applied to intersexual relations.
For instance, the basic concepts of intermittent reinforcement and behavioral modification seemed to me an obvious and learned practice of women in achieving some behavioral effect on men by periodically rewarding (reinforcing) them with sex ‘intermittently’. Operant conditioning andestablishing operations also dovetailed seamlessly into the Red Pill concepts and awareness I’d been developing for several years prior to finishing my degree.
Since then the ideas I formed have naturally become more complex than these simple foundations, but what I only learned by error was how thoroughly disconnected both students and my teachers were with what I saw as obvious connections. I met obstinate resistance to flat denial when I wrote papers or gave a dissertation about the interplay between the foundations of behaviorism and interpersonal relationships. It was one thing to propose that men would use various aspects to their own advantage, but it was offensive to suggest that women would commonly use behavioral modification techniques to achieve their Hypergamous ends.
This peer resistance was especially adamant when I would suggest that women had a subconscious pre-knowledge (based on collective female experience) of these techniques. I never thought I had brass balls for broaching uncomfortable considerations like this – I honestly, and probably naively, assumed that what I was proposing had already been considered by academia long before I’d come to it.
I was actually introduced to the work of Dr. Hasselton during this time, and along with Dr. Warren Farrell, she’s gone on to become one of my go-to sources in respect to the connection between contemporary behavioral ‘dots’ with theories of practical evolved function in intersexual dynamics. I owe much of what I propose on Rational Male to this interplay, and while I doubt Hasselton would agree with all of what I or the manosphere propose, I have to credit her and her colleague’s work for providing me many of the dots I connect.
I understand that there are still evo-psych skeptics in the manosphere, but I find that much of what passes for their piecemeal “skepticism” is generally rooted in a desire to stubbornly cling to comforting Blue Pill idealisms. That said, I’d never ask any reader to take what I propose here on faith, but personally I’ve found that the questions proposed by evo-psych reflect many of the observations I had in my college days.
Hypergamous Duplicity
For the social theater of the Feminine Imperative, one of the more galling developments in psychological studies to come out of the past fifteen years has been the rise of evolutionary psychology. The natural pivot for the Imperative in dealing with evo-psych has been to write off any concept unflattering to the feminine as being speculative or proving a biased positive (by “misogynistic” researchers of course), while gladly endorsing and cherry-picking any and all evo-psych premises that reinforce the feminine or confirm a positive feminine-primacy.
Up until the past two years or so, there was a staunch resistance to the concept of Hypergamy (know as sexual pluralism in evo-psych) and the dual natures of women’s sexual strategy. Before then the idea of Alpha Fucks / Beta Bucks was dismissed as biased, sociologically based and any biological implications or incentives for Hypergamy were downplayed as inconclusive by a feminine-centric media.
However the recent embrace of Open Hypergamy and “Sandbergism” of the last two years has set this narrative on its head, and the empowered women who found the idea of their own sexual pluralism so distasteful are now openly endorsing, if not proudly relishing, their roles in a new empowerment of Hypergamous duplicity.
Your Beta qualities are officially worthless to today’s women:
For those of you that aren’t aware, women now are often out earning men and more of them receive college degrees than men. As of now there aren’t really any programs to help guys out. Assuming this trend continues what do you think will happen to dating? I think that attractive women, will have their pick regardless.
However, for a lot of women, trying to lock down a guy in college will be more of a big deal. I don’t think hook up culture will disappear, but will definitely decrease.
With the exception with my current boyfriend, I have always earned more than any guy I have dated. It has never been an issue. I just don’t have to think about their financials, my attraction is based on their looks and personality. I am guessing the future will be more of that.
I thought this TRP subred was an interesting contrast to the Estrus theory proposed in the Gangstad-Hasselton paper (comments were good too). Yes, the woman is more than a bit gender-egotistical, and yes her triumphalism about the state of women in college and their earning is built on a foundation of sand, but lets strip this away for a moment. The greater importance to her in relating this, and every woman embracing open Hypergamy, is the prospect of better optimizing the dual nature of her sexual strategy.
In many a prior post I’ve detailed the rationales women will apply to their sexual pluralism and the social conventions they rely upon to keep men ignorant of them until such a time (or not) that they can best consolidate on that dualism. Where before that strategy was one of subtle manipulation and pretty lies to keep Betas-In-Waiting ready to be providers after the Alpha Fucks decline at 30, the strategy now is one of such utter ego-confidence in feminine social primacy that women gleefully declare “I’m not just gonna have my cake and eat it too, I’m getting mine with sprinkles and chocolate syrup” with regard to Alpha Fucks and Beta Bucks.
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Senior Member
The Estrus Connection
For all of the ubiquitous handwringing the manosphere imparts to the social implications of today’s Open Hypergamy, it’s important to consider the biological underpinnings that motivate this self-interested conceit.
From Human Estrus: Implications for Relationship Science:
In the vast majority of mammalian species, females experience classic estrus or heat: a discrete period of sexual receptivity – welcoming male advances – and proceptivity – actively seeking sex – confined to a few days just prior to ovulation, the fertile window. Only at this time, after all, do females require sex to conceive offspring. The primate order is exceptional. Although prosimians (e.g., lemurs, tarsiers) exhibit classic estrus, the vast majority of simian primates (monkeys and apes) are sexually active for at least several days outside of the fertile period [2]. Humans are an extreme case: Women may be sexually receptive or proceptive any time of the cycle, as well as other nonconceptive periods (e.g., pregnancy).
Do Women Retain a Functionally Distinct Fertile Phase?
Graded sexuality. Women’s sexual activity is not confined to an estrous period. But are women’s sexual interests truly constant across the cycle? Many female primates (e.g., rhesus macaques and marmosets) are often receptive to sexual advances by males outside of the fertile phase, but they initiate sex less [2].
In fact, women’s sexual interests do appear to change across the cycle. Women exhibit greater genital arousal in response to erotica and sexually condition to stimuli more readily during the follicular phase [5-8].
A recent study identified hormonal correlates of these changes by tracking 43 women over time and performing salivary hormone assays [9].
Women’s sexual desire was greater during the fertile window, and was positively related to estradiol levels (which peak just before ovulation), but negatively related to progesterone levels (which rise markedly during the luteal phase).
Changes in the male features that evoke sexual interest. Since the late 1990s, some researchers have argued that what changes most notably across the cycle is not sexual desire per se but, rather, the extent to which women’s sexual interests are evoked by particular male features – specifically, male behavioral and physical features associated with dominance, assertiveness, and developmental robustness. Over 50 studies have examined changes across the cycle in women’s attraction to these male features.
The importance of behavioral features? Whereas preference shifts of major interest early on concerned male physical features (e.g., facial masculinity; scent), several recent studies have focused on women’s reactions to men’s behavior and dispositions. Previous research had found that women find male confidence, even a degree of arrogance, more sexually appealing during the fertile phase [e.g., 15-16]. Recent studies replicate and extend that work, finding not only that fertile-phase women are more sexually attracted to “sexy cad” or behaviorally masculine men (relative to “good dad” or less masculine men), but also that, during the fertile phase, women are more likely to flirt or engage with such men [17,18]. Females of a variety of species, including primates [2], prefer dominant or high ranking males during the fertile phase of their cycles. These males may pass genetic benefits to offspring, as well as, potentially, offer material benefits (e.g., protect offspring). Women’s fertile-phase sexual attraction to behavioral dominance appears to have deep evolutionary roots.
Much of what’s explored here I laid out in Game terms in Your Friend Menstruation over two years ago, but the implications of the behaviors prompted by women’s menstrual cycle and biochemistry strongly imply an estrus-like predictability. This estrous state is a foundational keystone, not just to developing Game, but a keystone to understanding the dynamics behind Hypergamy, women’s dualistic sexual strategy, Alpha Fucks / Beta Bucks, and can even be extrapolated into the drive for ensuring feminine social dominance in both overt and covert contexts.
When women embrace a social order founded upon a feminine state of openly revealed Hypergamy they confirm and expose the reality of this estrous state.
Whereas before, in a social order based on concealed Hypergamy, this state could be dismissed as a social construct (and a masculine biased one at that), or one that had only marginal influence to reasoning women with a “higher” human potential. No longer – the confirmation of a true estrus in women via open Hypergamy literally confirms virtually every elementary principle Game has asserted for the past 13 years.
Dual Sexuality
Within the dual sexuality framework, fertile-phase sexuality and non-fertile-phase sexuality possess potentially overlapping but also distinct functions [22,23]. In a number of primate species, extended sexuality – female receptivity and proceptivity at times other than the fertile phase – appears to function to confuse paternity by allowing non-dominant males sexual access [e.g., 24]. These males cannot rule out their own paternity, which might reduce their likelihood of harming a female’s offspring. In humans, by contrast, extended sexuality may function to induce primary pair-bond partners to invest in women and offspring [e.g., 22].
I found this part particularly interesting when you contrast this dynamic with the social resistance that standardized paternity testing has been met with. In a feminine-primary social order based on open Hypergamy, the Feminine Imperative can’t afford not to legislate a mandated cuckoldry. If Beta provider males will not comply with the insurance of a woman’s long-term security (as a result of being made aware of his place in Open Hypergamy) then he must be forced to comply either legally, socially or both. The old order exchange of resources for sexual access and a reasonable assurance of his paternity is replaced by a socialized form of cuckoldry.
Some studies have found that women’s sexual interests in men other than partners are strikingly rare during the luteal phase, relative to the fertile phase [25,26]. Other research has found moderating effects; for example, women who perceive their partners to lack sex appeal experience increased attraction to men other than partners, less satisfaction, and a more critical attitude toward partners, but only when fertile [27,28]. Fertile-phase women in one study were more assertive and focused on their own, as opposed to their partner’s, needs, especially when attracted to men other than partners during that phase [29].
Most research on cycle shifts has been inspired by theory concerning women’s distinctive sexual interests during the fertile phase. One study explicitly sought to understand factors influencing women’s sexual interests during the luteal phase, finding that, at that time, but not during the fertile phase, women initiated sex more with primary partners when they were invested in their relationship more than were male partners [30]. This pattern is consistent with the proposal that extended sexuality functions, in part, to encourage interest from valued male partners. Others have proposed that women’s estrus phase has been modified by pair-bonding.
Initiating sex or being receptive to a primary partner’s sexual interest during the luteal phase (the Beta swing of the cycle) follows when we consider that a woman being sexual during this phase poses the least potential of becoming pregnant while simultaneously (rewarding) reinforcing that primary partner’s continued investment in the pairing with sex (intermittent reinforcement). This is a very important dynamic because it mirrors a larger theme in women’s socio-sexual pluralism – it’s Alpha Fucks/Beta Bucks on a biological scale.
Compare this intra-relationship predisposition for Beta sex and contrast it with the larger dynamic of open Hypergamy Alpha Fucks during a woman’s prime fertility window in her peak SMV years, and her post Epiphany Phase necessity to retain a comforting (but decidedly less sexually exciting) Beta provider.
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Senior Member
Women’s sexual strategy on a social scale, mirrors her instinctual, estrous sexual strategy on an individual scale.
Cues of Fertility Status
Females across diverse species undergo physical and behavioral changes during estrus that males find attractive: changes in body scents in carnivores, rodents, and some primates; changes in appearance, such as sexual swellings, in baboons and chimpanzees; changes in solicitous behavior in rodents and many primates [2,31] Because women lack obvious cyclic changes, it was widely assumed that cycle shifts in attractiveness were eliminated in humans, perhaps with the evolution of
pair bonding [32].
In 1975, a pioneering study documented increased attractiveness of women’s vaginal odors midcycle [33]. A quarter century later, research revealing other detectable fertile-phase changes began to accumulate, including increased attractiveness of women’s upper torso odors, increased vocal pitch and attractiveness, and changes in women’s style of dress and solicitous behaviors [34]. Meta-analysis of this literature confirms that changes across the cycle in women’s attractiveness are
often subtle, but robust (K. Gildersleeve, PhD dissertation, UCLA, 2014).
A notable recent study demonstrated that hormones implicated in attractiveness shifts in non-humans also predict attractiveness shifts in humans [35]. Photos, audio clips, and salivary estrogen and progesterone were collected from 202 women at two cycle points. Men rated women’s facial and vocal attractiveness highest when women’s progesterone levels were low and estrogen levels high (characteristic of the follicular phase, and especially the fertile window).
Emerging evidence suggests that these changes affect interactions between males and females. During the fertile window, women report increased jealous behavior by male partners [25,29,36]. A possible mediator of such changes – testosterone – is higher in men after they smell tshirts collected from women on high- than on low-fertility days of the cycle [37; cf. 38]. A recent study examined related phenomena in established relationships by bringing couples into the lab for a close interaction task (e.g., slow dancing) [39]. Following the interaction, male partners viewed images of men who were attractive and described as competitive or unattractive and noncompetitive. Only men in the competitive condition showed increases in testosterone from baseline – and only when tested during their partner’s fertile phase.
What remains less clear is how we can understand shifts in attractiveness from a theoretical perspective. It is unlikely that women evolved to signal their fertility within the cycle to men [22,34]. In fact, the opposite may have occurred – active selection on women to conceal cues of ovulation, which could help to explain weak shifts in attractiveness relative to many species. Concealment might have promoted extended sexuality with its attendant benefits from investing males, or
facilitated women’s extra-pair mating. Possibly, the subtle physical changes that occur are merely “leaky cues” that persist because fully concealing them suppresses hormone levels in ways that compromise fertility. Behavioral shifts, by contrast, may be tied to increases in women’s sexual interests or motivation to compete with other women for desirable mates [e.g., 40].
Usually after first-time readers have a chance to digest the material I propose in Your Friend Menstruation the first frustration they have is figuring out just how they can ever reliably detect when a woman is in this estrous state. On an instinctual level, most men are already sensitive to these socio-sexual cues, but this presumptuousness of sexual availability is rigorously conditioned out of men by social influence. In other words, most guys are Beta-taught to be ashamed of presuming a woman might be down to fuck as the result of picking up on visual, vocal or body posture cues.
Beyond this perceptiveness, there are also pheromonal triggers as well as behavioral cues during estrus that prompt a mate guarding response in men.
I would however propose that the evolved concealment of an estrus-like state and all of the attendant behaviors that coincide with it are a behavioral mechanic with the purpose of filtering for men with a dominant Alpha capacity to “Just Get It” that a woman is in estrus and thus qualify for her sexual access either proceptively or receptively. Women’s concealed estrus is an evolved aspect of filtering for Alpha Fucks.
In addition, this concealment also aids in determining Beta Bucks for the men she needs (needed) to exchange her sexual access for. A guy who “doesn’t get it” is still useful (or used to be) precisely because he doesn’t understand the dynamics of her cyclic and dualistic sexual strategy. Her seemingly erratic and self-controlled sexual availability becomes the Beta Bucks interest’s intermittent reinforcement for the desired behavior of his parental investment in children that are only indeterminately of his genetic heritage.
Evidence of this intermittent reinforcement can also be observed in what Athol Kay from Married Man Sex Life has described as wives “drip feeding” sex to their husbands. The confines of a committed monogamy in no way preclude the psycho-sexual influences of estrus. Thus placating a less ‘sexy’, but parentally invested man with the reinforcer of infrequent (but not entirely absent) sex becomes a necessity to facilitate the prospect of a future sexual experience with an Alpha while ensuring the security of her Beta.
In closing here I think the importance of how this estrous state influences women on both an individual and social level can’t be stressed enough in contrast to the social embrace of open Hypergamy. The Hypergamy genie is not only out of the bottle, but women are, perhaps against their own interests, embracing the genie with gusto.
Just today Vox posted a quick hit article about how men are discovering thatpornography is now preferable to relating with the average woman.
In an era of open Hypergamy I don’t believe this is a rationalized preference so much as it’s simply a pragmatic one. Men are rapidly awakening to a Red Pill awareness, even without a formal Red Pill education, and seeing the rewards (the intermittent reinforcement) simply aren’t worth the investment with women who blithely express their expectations of them to assume the role they would have them play in their sexual strategies.
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Bronze Member
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Senior Member
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Senior Member
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Senior Member

Só desgraças nesta capa.
Até o Vitória esta a perder 3-0...
A um dos acidentes assisti e senti-me mal, muito mal...
Mas na Quinta do Anjo acontecer uma coisa destas! Como é possível?
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Silver Member
Mas o vitória estar a perder não é nenhuma desgraça :D
"O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário" - Albert Einstein
"Tocar uma nota errada é insignificante, mas tocar sem paixão é imperdoável!" - Ludwig van Beethoven
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Junior Member
 Originalmente Colocado por picolata
Mas o vitória estar a perder não é nenhuma desgraça :D
Os penaltis sim são 1 desgraça kkkk
"Don't be afraid of death, be afraid of an unlived life"
"The best way to make your dreams come true is to wake up"
"When life gives you lemons make lemonade"
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Silver Member
São ambos pênalti lol
Só não concordo com o vermelho
"O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário" - Albert Einstein
"Tocar uma nota errada é insignificante, mas tocar sem paixão é imperdoável!" - Ludwig van Beethoven
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Junior Member
 Originalmente Colocado por picolata
São ambos pênalti lol
Só não concordo com o vermelho
o árbitro só vê vermelho a frente por isso é que deu vermelho!! :p :DDDD
"Don't be afraid of death, be afraid of an unlived life"
"The best way to make your dreams come true is to wake up"
"When life gives you lemons make lemonade"
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Senior Member
Pronto, o "meu" Vitória perdeu com o "meu" Benfica...
Mas isso é "só" Futebol.
Pior são os acidentes (um deles mortal) e as "não conformidades" referidas na capa do jornal desta 4ª feira.
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Silver Member
Está calado waz! XD
Sim, isso é que é triste excelentíssimo Zarco
"O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário" - Albert Einstein
"Tocar uma nota errada é insignificante, mas tocar sem paixão é imperdoável!" - Ludwig van Beethoven
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Moderador
Quando pensamos que os nossos problemas não têm solução. 
"I have a cue light I can use to show you when I'm joking, if you like.'" TARS
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Senior Member
Deus, um delírio ou a realidade?
“Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama Religião”
Richard Dawkins
No prefácio de Deus, um delírio, Richard Dawkins escreveu que se o livro funcionar do modo como ele pretende, “os leitores religiosos que o abrirem serão ateus quando o terminarem”.
Depois, com base em um dicionário, alega que delírio é uma falsa crença persistente que se sustenta mesmo diante de fortes evidências que a contradigam, especialmente como sintoma de um transtorno psiquiátrico’, para em seguida concordar com Robert M. Pirsig, no sentido de que,
“Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama Religião”.
Dawkins é biólogo, ateu e titular da cátedra de Compreensão Pública da Ciência na Universidade de Oxford, onde se formou, e deu aulas de zoologia na Universidade da Califórnia em Berkeley.
Na verdade, seu livro inteiro é uma seqüência bem articulada de ironias e desafios contra o religiosismo dogmático, feita por um darwiniano radical em mais um lance da batalha dialética travada entre o evolucionismo, que sustenta a tese de um universo ateu, e o criacionismo, que acredita na criação no sentido bíblico literal.
Evocando o ex-beatle John Lennon, Dawkins convida o leitor a imaginar um mundo sem religião, sem ataques suicidas, sem guerras e discriminações religiosas, sem evangélicos televisivos de terno brilhante e cabelo bufante tirando dinheiro dos ingênuos (“Deus quer que você doe até doer”), sem o Talibã para explodir estátuas antigas, sem decapitações públicas de blasfemos, sem o açoite da pele feminina pelo crime de ter se mostrado em um centímetro.
A certa altura da narrativa, Dawkins comenta a chamada “aposta” do matemático francês Blaise Pascal, segundo a qual, “por mais improvável que fosse a existência de Deus, há uma assimetria ainda maior na punição por errar no palpite.
É melhor acreditar em Deus, porque se você estiver certo, poderá ganhar o júbilo eterno, e se estiver errado não vai fazer a menor diferença.
Por outro lado, se você não acreditar em Deus e estiver errado, será amaldiçoado para todo o sempre, e se estiver certo não vai fazer diferença.
Pensando assim, a decisão é óbvia. Acredite em Deus”.
Ironizando, Dawkins diz que há o seguinte risco na aposta de Pascal:
“Suponha que o deus que o confrontar quando você morrer seja Baal, e suponha que Baal seja tão invejoso quanto disseram que era seu velho rival Javé. Não seria melhor que Pascal não tivesse apostado em deus nenhum, do que apostar no deus errado?”.
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Senior Member
A igualdade de oportunidade e a opressão do politicamente correto
Há aquelas perguntas que são feitas com um genuíno espírito investigativo, com o intuito de obter respostas e conhecimento. Mas há também aquelas perguntas que são feitas com o claro propósito de intimidar, de irritar ou de coagir o inquirido, com o intuito de fazê-lo concordar com um determinado ponto de vista e, com isso, estabelecer a imaculada virtude das pessoas que fazem a pergunta.
Recebi recentemente uma pergunta desse tipo via email. Quem me enviou foi o The Lancet, um dos mais importantes jornais médicos do mundo. Dirigindo-se a mim pelo meu primeiro nome (já o suficiente para me irritar), perguntou: "Você se importa com a saúde do nosso planeta?"
Francamente, a resposta é não. Ao contrário de cachorros, planetas não são o tipo de coisa pela qual consigo sentir afeição ou interesse. Minha conta bancária ocupa na minha mente um espaço muito maior do que a saúde do planeta. Aliás, nem sequer estou certo de que planetas podem ser saudáveis ou doentios, assim como não estou muito certo de que eles podem ser sarcásticos ou discretos. Rotular um planeta de saudável é incorrer naquilo que os filósofos costumavam chamar de erro de categoria.
Isso, obviamente, não significa que deseje o mal à terra. Pelo contrário. Se uma prova de múltipla escolha me for oferecida, é bem provável que eu marque as respostas que desejem bem ao mundo, e não seu mal. Eu responderia assim nem que fosse motivado pelo simples desejo de ser aprovado.
Mas há algo de hipócrita e de insincero nesse tipo de pergunta. Como é bem típico de nossa era — em que a realidade virtual é mais importante para a maioria das pessoas do que a própria realidade —, a simples expressão de sentimentos altaneiros e benevolentes é hoje avaliada por muitos como sendo a própria expressão da virtude. A pessoa mais virtuosa é aquela que consegue expressar a mais abrangente benevolência recorrendo ao mais alto nível de abstração. É isso que hoje em dia se passa por bondade e preocupação.
Senti-me impelido a responder ao editor do Lancet (mas sei que ele não iria ler) dizendo que discordava de seu "planetismo" discriminatório; que eu só passaria a me importar com a saúde do universo, ou dos universos, se as especulações feitas pelos astrofísicos sobre a existência de outros universos se comprovassem verdadeiras.
"Você se importa com a saúde do nosso planeta?" é uma pergunta que, embora não esteja na mesma classe de "Você já parou de bater na sua mulher?", está bem próxima. Como acabei descobrindo — ao ler mais atentamente o email —, a saúde do planeta na verdade se referia à saúde das pessoas deste planeta, acrescida de um pouco de misticismo sobre diversidade biológica (o novo paganismo).
"Nosso objetivo é responder às ameaças que enfrentamos: ameaças à saúde humana e ao bem-estar, ameaças à sustentabilidade de nossa civilização, e ameaças aos sistemas naturais e humanos que nos sustentam". Esse editor santarrão se autoconcedeu uma visão, embora a tenha expressado na primeira pessoa do plural: "Nossa visão é a de um planeta que fomente e sustente a diversidade da vida com a qual nós co-existimos e da qual nós dependemos". Levantem as mãos, portanto, todos aqueles pascácios que são a favor da máxima disseminação possível das ameaças ao bem-estar da humanidade e da eliminação de todas as formas de vida exceto a nossa.
Deve ser horrível levar uma vida tendo pensamentos tão enfadonhos — e não apenas ocasionalmente, mas sim corriqueiramente, se não constantemente — e se sentindo obrigado a expressá-los.
Mas estou divagando. Voltemos ao problema das perguntas intimidadoras e coercivas, às quais se espera que respondamos. Dentre estas perguntas, uma das mais onipresentes é aquela que emprega o slogan da nossa era: "Você é contra a igualdade de oportunidades?"
Como todos já devem saber, quem se diz contra a noção de igualdade de oportunidades é imediatamente classificado como sendo algum tipo de reacionário monstruoso e ultramontano, um Metternich ou um Nicolau I, alguém que quer, por meio de repressões, preservar o status quo no formol.
Sempre que profiro palestras, os membros mais jovens da plateia quase desmaiam de horror quando digo que não apenas não acredito em igualdade de oportunidades, como ainda considero tal ideia sinistra ao extremo, muito pior do que a mera igualdade de resultados. Atualmente, dizer a uma jovem plateia que igualdade de oportunidades é uma ideia completamente maléfica e depravada é o equivalente a gritar "Deus não existe e Maomé não foi seu profeta" a plenos pulmões em Meca.
O problema é sempre o mesmo: os defensores de determinadas ideias simplesmente não se dão ao trabalho intelectual de analisar as consequências práticas de sua implantação. Se a ideia da igualdade de oportunidades for realmente levada a sério, então seus proponentes terão de alterar toda a estrutura humana do planeta.
Para começar, as pessoas não nascem iguais. Essa é a premissa mais básica de toda a humanidade. As pessoas são intrinsecamente distintas uma das outras. Algumas pessoas são naturalmente mais inteligentes que outras. Algumas têm mais destrezas do que outras. Algumas têm mais aptidões físicas do que outras.
Adicionalmente, mesmo que duas crianças nascessem com exatamente o mesmo grau de preparo e inteligência (algo improvável), o próprio ambiente familiar em que cada uma crescer será essencial na sua formação.
Algumas crianças nascem em famílias unidas e amorosas; outras nascem em famílias desestruturadas, com pais alcoólatras, drogados ou divorciados. Há crianças que nascem inteligentes e dotadas de várias aptidões naturais, e há crianças que nascem com baixo QI. Toda a diferença já começa no berço e, lamento informar, não há nenhum tipo de engenharia social que possa corrigir isso.
As influências genética e familiar sobre o destino das pessoas teriam de ser eliminadas à força, pois elas indubitavelmente afetam as oportunidades e fazem com que elas sejam desiguais.
No cruel mundo atual, pessoas feias não podem ser modelos; deformados não podem ser astros de futebol; retardados mentais não podem ser astrofísicos; baixinhos não podem ser boxeadores pesos-pesados. Não creio ser necessário prolongar a lista; qualquer um é capaz de pensar em milhares de exemplos.
É claro que pode ser possível nivelar um pouco a disputa criando leis que imponham a igualdade de resultado: por exemplo, insistindo que pessoas feias sejam empregadas como modelo de acordo com a proporção de seu predomínio na população. O novelista inglês L.P. Hartley, autor de The Go-Between, satirizou esta invejosa supressão da beleza (e, por consequência, todo e qualquer igualitarismo que não fosse restrito à igualdade perante a lei) em uma novela chamada Justiça Facial.
Neste livro, Hartley contempla uma sociedade em que todos aspiram a uma face "mediana", gerada por cirurgias plásticas que são feitas tanto nos anormalmente feios quanto nos anormalmente belos. Somente desta maneira pode a suposta injustiça da loteria genética ser corrigida.
Gracejos à parte, o mais curioso sobre essa questão da desigualdade de oportunidades é que os arranjos políticos necessários para reduzi-la ao máximo possível já existem na maioria dos países ocidentais. Há saúde gratuita, há educação gratuita, há creches gratuitas, há escolas técnicas gratuitas, e há programas gratuitos de curas de vícios. Ainda assim, todos continuam infelizes ou descontentes. Consequentemente, continuamos atribuindo nossa infelicidade à falta de igualdade de oportunidades simplesmente por medo de olharmos para outras direções à procura de explicações verdadeiras, inclusive para nós mesmos.
Políticos adoram idealizar a ideia de igualdade de oportunidade exatamente porque se trata de algo impossível de ser alcançado plenamente — exceto se forem implantados arranjos que fariam a Coréia do Norte parecer um paraíso libertário. E justamente por ser impossível, a igualdade de oportunidades se torna uma permanente garantia de emprego para esses políticos, à medida que eles seguem prometendo a quadratura do círculo ou a criação do moto-perpétuo. Tais promessas garantem a importância deles perante o eleitorado. E conseguir importância é provavelmente a mais poderosa motivação de todo político.
"Você é contra a igualdade de oportunidades?" Eu sou. Sou plenamente a favor da oportunidade, mas totalmente contra a igualdade. E não adianta tentar me oprimir com perguntas politicamente corretas e maliciosamente formuladas.
E você, já parou de bater na sua mulher? Responda apenas sim ou não.
Theodore Dalrymple é médico psiquiatra e escritor. Aproveitando a experiência de anos de trabalho em países como o Zimbábue e a Tanzânia, bem como na cidade de Birmingham, na Inglaterra, onde trabalhou como médico em uma prisão, Dalrymple escreve sobre cultura, arte, política, educação e medicina. Além de seu trabalho em medicina nos países já citados, ele já viajou extensivamente pela África, Leste Europeu, América Latina e outras regiões.
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Senior Member
Como espoliar os ricos
É cada vez maior o número pessoas que diz que a solução para o fim definitivo da pobreza está na tributação pesada dos mais ricos. O fato de haver vários indivíduos com milhões, algumas vezes bilhões, em suas contas bancárias é algo que enlouquece muita gente, especialmente políticos. Populistas imaginam que estes ricos não fazem absolutamente nada na vida a não ser amontoar dinheiro, contá-lo gostosamente e gargalhar sadicamente ao pensarem nas vantagens que possuem sobre o resto da humanidade.
Sendo assim, munidos de tais imagens mentais, os ativistas da redistribuição de renda propõem vários esquemas para separar, à força, os ricos de seu dinheiro, sempre utilizando o poder da violência governamental. Trata-se de uma abordagem brutal que envolve um pesado uso da coerção estatal contra pessoas. Se você acredita na paz, como vários ativistas de esquerda alegam, então tal postura não pode ser defendida. Violência produz apenas mais violência, e nunca é uma solução.
O outro problema com a tributação — e este, por si só, deveria bastar para fazer com que a esquerda abandonasse em definitivo a defesa deste método — é que o dinheiro confiscado é transferido para o próprio estado — a mesma instituição que suprime a liberdade de expressão, joga as pessoas na cadeia pelo uso de drogas e intimida vários tipos de associação voluntária e consensual entre dois indivíduos. Não é algo muito esperto tomar dinheiro daqueles que usam sapatos lustrados e transferir para aqueles que usam botas militares.
Certamente tem de haver uma maneira melhor, mais inteligente e mais pacífica de se retirar dinheiro das mãos dos ricos e transferi-lo para as mãos da classe média e dos pobres. E eu tenho a solução perfeita.
Ela me veio recentemente, quando eu estava caminhando por uma rua da cidade e vi um Rolls-Royce Phantom, estacionado onde qualquer carro normal estacionaria. Carros absurdamente ostentosos e pomposos podem ser incríveis em termos de luxo e desempenho, mas custam mais de US$320.000.
Inacreditável! Por que alguém iria querer comprar isso? O proprietário deste carro poderia ter gasto uma minúscula fração deste valor em um carro bem mais simples (como o meu), suficiente para levá-lo do ponto A ao ponto B; mas, em vez disso, e por razões que ninguém pode realmente explicar, esta pessoa decidiu se desfazer de uma quantia equivalente a vários anos da renda de um trabalhador médio — tudo por um carro.
O ponto a ser enfatizado aqui é que esta pessoa abriu mão de seu dinheiro. E onde este dinheiro foi parar? Ele foi para as pessoas que venderam o carro, para as pessoas que construíram o carro, para as que transportaram o carro e para as que forneceram equipamentos para o carro. Mas não pára por aí. O dinheiro foi também para os trabalhadores da indústria de borracha que fizeram os pneus e para os trabalhadores nas siderúrgicas que fizeram o material da luxuosa carroceria.
Ou seja, o dinheiro foi do rico para todo o resto, e ninguém teve de ameaçá-lo de morte, de cadeia ou de espancamento para que isso acontecesse. Aqueles que receberam o dinheiro não tiveram de fazer lobby por ele, não tiveram de tributar e nem coagir ninguém. O cara rico abriu mão do dinheiro voluntariamente! Logo, parece que estamos chegando a alguma conclusão aqui.
Os ricos são um grupo interessante. Eles gostam de se destacar por meio de atos e posses que o resto de nós considera como apenas absurdas ostentações. Se não houver coisas com as quais os ricos possam gastar seu dinheiro esbanjadoramente, eles irão apenas entesourar este dinheiro, enviá-lo a um paraíso fiscal ou depositá-lo em obscuros fundos mútuos de outros países.
Thorstein Veblen entendeu tudo às avessas. As pessoas que se ressentem da riqueza das elites não deveriam de modo algum condenar seu consumo excessivo. Elas deveriam, ao contrário, encorajar cada vez mais seu consumismo. A solução é ter uma sociedade que apresente uma vasta proliferação de luxos excepcionalmente caros nos quais os ricos possam gastar seu dinheiro. Este é o caminho para a expropriação voluntária e para uma eficaz redistribuição de renda — deles para o resto de nós, do 1% para os 99%.
Considere, por exemplo, uma passagem de primeira classe de um avião. Para alguns vôos, o preço desta passagem é de quebrar a banca. Para compras de última hora em alguns vôos internacionais, uma passagem desta pode custar até US$15.000. E o que este passageiro ganha em troca? Ele será servido por uma comissária de bordo que acha que ele é o máximo, terá vários drinques à sua disposição e um espaço extra para as pernas. Mas chegará ao mesmo destino dos passageiros que estão na classe econômica.
Em troca desse pouco, este passageiro rico transferiu milhares de dólares de sua conta bancária para as contas bancárias dos pilotos, dos comissários de bordo, dos operadores de bagagens, dos funcionários que comandam a burocracia da empresa aérea, dos mecânicos da empresa aérea, dos responsáveis pelo abastecimento nos aeroportos, e de todos os demais envolvidos na operação do voo. Outro detalhe adicional, do qual poucos parecem se dar conta, é que são justamente os altos valores pagos pelos passageiros da primeira classe e da classe executiva que permitem preços mais baratos para a passagem da classe econômica.
O mesmo raciocínio se aplica a hotéis de luxo. Para mim, um hotel é apenas um local para se dormir quando se está em outra cidade. Porém, há toda uma classe de hotéis de luxo voltados para fornecer a seus hóspedes momentos inesquecíveis pelo período de tempo em que ficarem ali. Há hotéis com spas, saunas, piscinas, salas de ginástica, vários tipos de restaurante, bares em todos os cantos, bibliotecas, campos de golfe, espaços para caminhadas, salões de dança e mais luxos do que você seria capaz de usar durante todo o ano. Estes hotéis chegam a cobrar milhares de dólares por apenas uma noite.
Eu não entendo muito bem a lógica de se fornecer tudo isso, mas vários indivíduos pertencentes ao 1% dos mais ricos mantêm estes lugares sempre cheios. E isso é ótimo! O dinheiro deles sai de seus bolsos diretamente para as mãos de recepcionistas, garçons, limpadores de piscina, porteiros, arrumadeiras, cozinheiros, limpadores de chão, pedreiros, operários que fazem reparos em instalações, e todos os outros tipos de profissões puramente manuais que você for capaz de imaginar.
Precisamos de muito mais de tudo isso. Veja o campeonato mundial de iatismo. Trata-se de algo absurdamente caro apenas para participar. Os iates podem custar mais de US$5 milhões. Apenas a manutenção eleva este valor alguns milhões a mais. Tal coisa seria absolutamente impensável para a esmagadora maioria dos mortais. No entanto, os ricos fazem tudo isso, e voluntariamente transferem sua riqueza diretamente para os menos abonados de todas as posições sociais e profissionais. Principalmente se você considerar toda a atenção dada pela mídia e toda a badalação que ocorre nas redondezas, há centenas de milhares de pessoas que se beneficiam desta extravagância dos ricos.
O que é especialmente louvável neste comportamento dos ricos é que, todos os produtos que eles inicialmente adquirem antes do resto da humanidade, um dia se tornam amplamente disponíveis para todo o mundo, desde que, é claro, a economia de mercado esteja funcionando livremente. Na década de 1980, um celular era o supra-sumo do luxo. Hoje, celulares estão disponíveis para todos os pobres do mundo. O mesmo é válido para computadores. Eu carrego em meu bolso mais memória RAM e HD do que havia disponível, em conjunto, para os mais ricos e poderosos do mundo duas décadas atrás.
Os ricos são aquilo que chamamos de 'adotantes primários'. Eles são os primeiros a adotar toda e qualquer tecnologia que surge. Com o tempo, aquilo que era luxo se torna algo corriqueiro para o resto de nós. Produtos que antes estavam disponíveis apenas em lojas exclusivas e chiques, daquelas que você tem de marcar hora para poder entrar, acabam nas prateleiras de shoppings populares alguns anos depois. Os ricos desbravam as novidades, fazendo todo o serviço antes de nós. Desta forma, eles são os benfeitores da sociedade.
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Senior Member
Se quisermos espoliar os ricos de seu dinheiro, temos apenas de criar cada vez mais oportunidades para que eles possam esbanjar milhões, até bilhões, em objetos e serviços que você e eu jamais sonharíamos adquirir. Precisamos de mais luxo, de mais fausto, de mais magnificência, de mais consumo conspícuo dos ricos, de mais bens e serviços tentadores, exagerados e exorbitantes que incitem os ricos a abrir mão do seu dinheiro.
Porém, é claro que, se quisermos tudo isso, teremos também de ter produtores capazes de fabricar estas coisas e vendê-las para os ricos. Isto significa uma sociedade trabalhadora, poupadora, acumuladora de capital e investidora. E isto, por sua vez, significa que não se deve punir o investimento e a acumulação de capital, nem tampouco criar impostos punitivos sobre as receitas geradas por aqueles investimentos voltados para os ricos. Impostos sobre a renda têm de ser zerados, assim como sobre bens de luxo. Quaisquer medidas que desestimulem a produção e a venda de bens de luxo têm de ser repelidas caso realmente se queira esvaziar os bolsos dos milionários.
Igualmente, é também preciso acabar com esta crescente ideia de que os ricos devem dar todo o seu dinheiro para amplas e dispersas instituições de caridade. A quem isto realmente beneficia? É difícil saber, mas certamente há organizações sem fins lucrativos que não fazem aquilo que alegam estar fazendo. Um caminho muito melhor seria estimular os ricos a enriquecerem o máximo possível e, depois, saírem gastando desmesuradamente por coisas que, no final, irão beneficiar a todos nós.
Os ricos não levarão seu dinheiro para a cova. O mercado é a melhor, mais eficiente e mais pacífica maneira de fazer com que toda a riqueza seja distribuída para o resto do mundo.
Jeffrey Tucker é o CEO do Liberty.Me. É também autor dos livros It's a Jetsons World: Private Miracles and Public Crimes e Bourbon for Breakfast: Living Outside the Statist Quo
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Senior Member
Como ganhar dinheiro (mesmo sendo pobre)
A principal dificuldade em ganhar dinheiro e enriquecer é que você tem de ter um dinheiro de reserva para criar aquilo que é chamado de "renda passiva", que é a renda que continua crescendo sem que a pessoa tenha de trabalhar. Isso significa que, para enriquecer, você tem de juntar um capital que seja suficiente para ser investido e tenha rendimento. E, para obter esse capital, não há mágica: você tem de criar valor; você tem de ter uma atividade diária que seja valorizada por pessoas.
Logo, duas conclusões: 1) você tem de trabalhar em algo que seja valorizado e demandado por consumidores. Só assim você conseguirá acumular algum dinheiro; 2) se a taxa básica de juros vigente em seu país for alta, melhor para você, pois seu dinheiro aplicado renderá mais.
Pessoas pobres permanecem pobres por três razões.
A primeira é que sua mão-de-obra é tão simples, que a demanda por ela não é alta. Uma mão-de-obra ganha valor de acordo com sua escassez e sua qualidade. Trabalhadores de redes fast food, ou caixas de supermercado e padaria simplesmente não são uma mão-de-obra escassa. Isso faz com que seus contracheques sejam baixos.
A segunda razão é que as pessoas pobres que têm uma renda mais maleável — ou seja, uma renda que não está totalmente comprometida com despesas fixas e essenciais — têm de saber escolher entre várias opções.
Entre as pessoas ricas, alguns vícios podem ser considerados meras excentricidades, uma vez que esses vícios, na maioria dos casos, não causam a ruína de suas circunstâncias presentes e futuras. Já entre os pobres, os vícios — dentre os quais os mais comuns são cigarros e bebidas — consomem um dinheiro que, em outras circunstâncias, poderia ser utilizado para aplicações financeiras, as quais formariam aquele colchão necessário para criar a renda passiva. Uma pessoa que não controla seus vícios e que por isso vive exclusivamente de salário a salário é uma pessoa que em vez de estar se esforçando para controlar seu próprio destino, está com o seu destino controlado pelo mercado de trabalho.
A terceira razão é que, sem que tenham nenhuma culpa por isso, as pessoas pobres possuem acesso apenas a uma fatia muito limitada da economia — que é aquela que está fisicamente próxima deles. Vários pobres continuam sem acesso à internet, a qual é hoje a maior força-motriz por trás da acumulação de riqueza. Aliás, vários pobres nem sequer têm acesso a uma livraria ou até mesmo a uma boa educação.
Com esses três fatores combinados, as pessoas pobres muito provavelmente continuarão pobres. E o comportamento agregado de indivíduos no mercado mostra que isso é verdade. Histórias de sucesso continuam sendo a exceção. Sendo assim, torna-se fácil acreditar que as pessoas pobres não têm nenhuma outra escolha senão continuarem pobres. Esse artigo é uma tentativa de mostrar que tal argumento não procede, e também de mostrar como a pobreza pode ser superada por meio da compreensão das forças naturais do mercado.
Para remediar o primeiro problema da pobreza — a mão-de-obra de uma pessoa pobre não ser escassa —, é necessário adquirir educação. O indivíduo tem de saber tornar sua mão-de-obra qualificada e demandada.
Isso pode ser feito tanto por meio do autodidatismo quanto por meio da educação em uma escola técnica. Aprender as técnicas de um trabalho específico, como fazer aulas técnicas em um sábado à tarde para adquirir um certificado de operador de empilhadeiras, é um esforço que, embora sobrecarregue o indivíduo temporariamente e até mesmo aumente seus gastos, poderá lhe trazer uma maior acumulação de riqueza no longo prazo.
Não basta apenas olhar o salário do final do mês para determinar o que pode e o que não pode ser comprado. Qualquer planejamento para o futuro tem de ser feito com o intuito de ganhar o máximo de dinheiro possível. Isso significa que o indivíduo terá de poupar dinheiro para fazer essa especialização. Logo, ele não poderá gastar seu pouco dinheiro comprando cigarros, cerveja ou comendo uma comida mais cara. Sacrifícios serão necessários no curto prazo.
Pessoas que sobrevivem de salário a salário deveriam economizar o máximo possível a cada semana.
Após um ano de poupança extrema, uma pessoa que trabalha em troca de salário mínimo já terá algumas economias. Se as taxas básicas de juros do país estiverem altas, tanto melhor: suas aplicações irão render mais, e sua poupança será menos sacrificante. A partir daí, não será difícil investir esse dinheiro em cursos técnicos que lhes deem um certificado. Em países em que tais cursos são subsidiados ou mesmo "gratuitos", não há nenhuma desculpa para não fazer isso. Com esforço e dedicação, um jovem pobre pode se tornar um grande mecânico de automóveis, um serviço para o qual sempre haverá demanda.
No pior dos cenários, que é aquele em que uma pessoa pobre não possui meios de transporte para se locomover até o local do curso técnico — quando, por exemplo, as tarifas de ônibus são caras, ou nem sequer há ônibus —, uma bicicleta terá de ser adquirida. Daí a importância ainda maior da poupança. Trata-se de um gasto que na verdade é um investimento.
Inversamente, os dois vícios mencionados — cigarros e álcool — não acrescentam absolutamente nada à riqueza de um indivíduo. Ao contrário, são gastos que representam uma contínua subtração de sua riqueza, principalmente no mundo atual, em que os preços desses bens só fazem crescer à medida que os governos vão elevando os impostos que incidem sobre esses itens.
Cortar a cervejinha pode ser algo bem sacrificante em termos de prazer pessoal; mas quando se considera que a escolha é entre um momento de prazer ou uma vida bem-sucedida, a opção deveria ser bem clara.
O terceiro problema, que é o das oportunidades de acordo com a localização do indivíduo, também terá de ser resolvido por meio da poupança. Computadores e até mesmo laptops terão de ser adquiridos; e podem ser adquiridos no mercado de usados por preços bem em conta. Ter um computador ou um laptop pode parecer uma despesa incrível para alguém que ganha salário mínimo; mas, de novo, com planejamento, poupança, sacrifícios e corte de gastos inúteis, é algo totalmente viável. Não é fácil, mas é totalmente factível. No mundo atual, ter um computador é quase obrigatório.
Uma pessoa que não tenha acesso à internet em casa poderá ter de ir a uma fonte que forneça internet, como uma biblioteca. Ou, no extremo, poderá usar uma LAN house. Daí a necessidade de mais poupança.
A questão então passa a ser a seguinte: tendo investido em uma bicicleta ou em um computador, o que o indivíduo terá de fazer para enriquecer? Com um computador, os serviços mais demandados (e, por isso, os mais escassos) envolvem programação. Livros sobre programação de computadores, muito embora nem sempre estejam totalmente atualizados, podem ser encontrados em bibliotecas públicas. Vários deles, como Visual Basic para iniciantes, vêm com DVDs que podem ser utilizados como ferramenta de auxílio.
Aliás, o próprio YouTube possui vídeos que ensinam vários tipos de programação de computador. E, procurando com paciência, a internet fornece vários .pdfs gratuitos de apostilas de programação. Com dedicação e paciência, qualquer um pode se tornar um webmaster.
Consequentemente, não é impossível que um sujeito que trabalha em alguma rede de fast food ou que é caixa de padaria, e que hoje não tem nem meio de transporte e nem computador, possa por meio desses sacrifícios e esforços subir na vida. Ele pode não virar um milionário, mas sem dúvida sua renda irá aumentar substantivamente.
Um grande problema ao qual todos estão sujeitos é que essa renda que momentaneamente parece ser contínua e suficiente pode repentinamente sumir. Trabalhadores podem ser demitidos. Empresas podem falir. O mercado pode simplesmente tornar algumas profissões obsoletas. Em algum momento no futuro, pode até ser possível que computadores se programem sozinhos de acordo com um arranjo de preferências pré-determinadas. Aquele indivíduo ou aquela família que até então estava confortável em uma profissão repentinamente descobre que sua renda voltou a correr risco.
O que fazer?
O objetivo supremo de ganhar dinheiro é ganhar dinheiro o suficiente para que investi-lo se torne uma vocação. Isso irá fornecer uma vida com mais segurança e mais certezas. Investidores podem controlar aquilo em que investem. Tanto o sucesso quanto o fracasso são determinados pelas escolhas que fazem. Isso é o oposto de ter de seguir ordens de um patrão, que é quem decide por conta própria se o empreendimento no qual você trabalha irá fracassar ou ser bem-sucedido.
Por isso, o objetivo da independência vocacional deveria ser óbvio: você começa sendo um assalariado, mas deve utilizar o dinheiro para se qualificar continuamente, até se tornar um empreendedor autônomo. Hoje, com a internet, você tem acesso a praticamente qualquer livro-texto ou vídeo técnico que queira. Tendo um meio de locomoção — uma bicicleta ou até mesmo um carro simples e usado, que já deixou de ser caro há muito tempo —, sua esfera de influência econômica se estende para muito além de sua residência. É assim que você começará a realmente ganhar dinheiro.
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